Eduardo Batista Filho, delegado

Há apenas seis meses no cargo de delegado da 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, Eduardo Batista Filho afirma que o bairro é o mais violento. " A Barra da Tijuca é talvez o bairro que mais cresça no mundo e o preço desse crescimento é o que estamos pagando agora: um aumento absurdo da violência", lamenta, relembrando o saudoso Vinícius de Moraes: "É preciso inventar o amor de novo".

Eduardo, que antes era delegado da 10ª Delegacia de Polícia, em Botafogo, diz que uma parceria entre a população, a Polícia e a Prefeitura é imprescindível e acredita que em primeiro lugar, a Polícia deveria ser municipalizada. "Os municípios deveriam ser os responsáveis pela sua segurança", diz ele. Mas essa necessidade de Eduardo não está muito próxima, já que essa mudança depende de uma reforma constitucional.

Enquanto isso não acontece, a única saída é que a população, a Polícia e a Prefeitura realmente caminhem de mãos dadas. "A união entre a Polícia e a população teria que passar forçosamente por um trânsito livre pela Prefeitura. Hoje, a Polícia depende muito dos órgãos municipais e isso é imprescindível", explica.

Eduardo também lamenta os dois maiores problemas para ele: a área física da delegacia e a densidade populacional. "É muita gente e eu não posso fazer milagres", diz. A 16ª Delegacia cobre uma área muito grande, que vai até a Grota Funda, em Campo Grande e mantém o mesmo número de policiais desde 93, cerca de 50 policiais.

Segundo Eduardo, os planos de colocar uma delegacia no Recreio dos Bandeirantes não trará muito benefício. "O recreio hoje é a região mais exposta à violência, mas o que a região precisa mesmo é de um Batalhão da Polícia Militar. Essa é a primeira necessidade e uma das maiores lutas das Associações do bairro", explica ele.

Uma das poucas coisas que Eduardo defende é a nova política do Governo do Estado: não abrigar mais presos nas delegacias. A carceragem da 16ª Delegacia foi desativada em meados do ano passado. "Eu achei corretíssimo porque no momento em que a delegacia abriga os presos, esta tem total responsabilidade com eles e perde muito tempo com isso", explica Eduardo.

Mas ainda assim, ele se rende aos apelos: "O Estado tem que olhar mais para a Barra da Tijuca".


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