Estamos vivendo numa sociedade em que as autoridades já não têm força no poder de polícia. São incapazes de deterem as ações de pessoas que todo momento praticam atos que vão desde ao desrespeito até o cometimento de crimes. São, portanto, incapazes de agirem preventivamente, que é a forma mais eficaz para impedir um resultado desastroso.
Mas as autoridades, principalmente, políticas parecem que não estão preocupadas em procederem assim, porque politicamente não dá notoriedade, que é do que eles vivem.
A permissibilidade, portanto, é o caminho ideal e o resultado dela fica por conta dos acontecimentos que politicamente serão resolvidos.
O desmando é o que mais se vê.
Vejam o que aconteceu com o problema do transporte alternativo. De início se via alguns veículos transportando pessoas de forma solidária. Um amigo, um vizinho, transportava um ao outro como forma de diminuir o fluxo de carros nas ruas, economizar combustível e como conseqüência, baratear o preço do transporte, que era estimulado pelo próprio governo.
O que se vê, no entanto, é um amontoado de veículos irregulares, sem qualquer segurança para os usuários, tomando conta da cidade, diante dos olhos inertes das autoridades. Aqueles veículos que se dizem regulares, estão acobertados por cooperativas, que segundo as más línguas, são criadas irregularmente e algumas delas comandadas por pessoas de idoneidade duvidosa. O transporte em si mesmo, oferecido como forma alternativa, entregue a toda sorte, está longe de oferecer aos usuários a segurança necessária que dela é esperada.
Vejam também o problema do planejamento urbano na periferia das grandes cidades. A princípio foi-se permitindo a construção de um barraco aqui, outro ali, e hoje estamos vivendo uma verdadeira calamidade com a epidemia de focos de comunidades pobres denominados de favela, sem qualquer infraestrutura. O pior, a cada dia que se passa, essas comunidades crescem numa proporção assustadora, sem que as autoridades tomem qualquer medida preventiva, agora, para evitar sua extensão. Todas elas são redutos de marginais ligados ao tráfico de drogas, roubos, seqüestros e outros crimes hediondos, como são noticiados nos jornais televisivos.
Vejam, ainda, por exemplo, a atividade recente do moto-táxi. Uma atividade, ainda em desenvolvimento, que vem crescendo a cada hora sem qualquer intervenção do poder público.
Todos nós sabemos e as autoridades também, que tal atividade não está regulamentada, mas nem por isso se toma qualquer medida preventiva para impedir um mau futuro maior.
Vejam mais, o Movimento sem Terra. Hoje seus integrantes estão fortemente armados de facão, foice e outros instrumentos agrícolas, que invadem propriedades alheias, produtivas ou não, destruindo, roubando e saqueando tudo por onde passam, aos olhos das autoridades que nada fazem para impedir, deixando que o proprietário vá buscar seus direitos na justiça já tomada de tantos processos.
Estes fatos são os mais comuns e aos olhos de todos nós, outros de menor complexibilidade acontecem a cada momento, que refletem o desmando das autoridades públicas de nossa sociedade.
Queremos, no entanto, acreditar que tais fatos são produtos de descaso e não de incompetência.
Acredito que assim seja, porque é da conveniência política que tais fatos aconteçam para que politicamente haja solução que vai prosperar na boca das urnas.
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